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quinta-feira, 14 de março de 2013

Conto

O despertar do triste cisne - de F.P.

 




Lembrava um ratinho, de tão miúda e magra que era. Seus colegas de classe, uns ultrajados com tempo, assim a descreviam, rata branca. O rosto pequeno e bochechudo, olhos grandes, verdes, que pareciam querer pular da órbita. Seu nariz, então, era o pior, uma torre de Pisa de tão longo e torto. Sua voz emitida não surgia, o que se ouvia era um sussurro desafinado e tartamudo, que por vezes podia ser confundido com uma ave engasgada.
Sigrid Schmied apreciava mulheres que sabiam falar, de preferência, com os lábios bem vermelhos. Invejava aquelas mulheres que desfilavam com o nariz empinado e botas de saltos altos. Ela não tolerava seus colegas, sentia-se transparente, se movimentando dum lado para o outro da sala de aula, como uma sombra.
Num ano que se trocava, cansada da vida cinza que convivia, decidiu mudar. Enquanto todos festejavam o ano que vinha e, simulavam uma alegria redescoberta, Sigrid deitou-se sobre a areia gelada e molhada, sob uma inquietante chuva de fogos azuis, amarelos e vermelhos. A partir desta noite sua vida mudou por completo. Internamente, acendeu o fogo apagado ou nunca aceso, puxou o berro trancado e gritou: Daqui para frente, nada temerei, viverei!!!
 Saiu dali sorrindo, com a face moldada numa expressão irônica que assumiu para o resto da vida. Como um encanto, Sigrid transformou-se. O rosto revelou uma forma explêndida, cujos olhos destacavam-se com um brilho afoito, o nariz com seu formato clássico sobressaiu como ponto chave e o cabelo dourado recém (auto) aparado denotaram um charme antes oculto. A patinha não era mais feia.
Pela primeira vez conseguiu emprego, numa loja que vendia cristais. Por todos os lados se via refletida. Seus olhos falavam. Conheceu Arno Bragança, um cliente distante, que surgiu para ficar na cidade. Um bigodudo calvo e de cabelos longos. Quando se olharam, o silêncio foi absoluto, ela sentiu a mão do destino.
Pensou e, se entregou. Ele a amou e ela não gostou. Porém, o carro, esporte vermelho e conversível, a fascinou. Fugiram para Copacabana. Transcorreram alguns meses e ela descobriu nele um Highlander. Foi com surpresa que recebeu a notícia de que ele era casado. Com os olhos fixos na janela que refletia o homem de ombros caídos, o expulsou.
Depois, uma maré de homens vigorosos inundou sua existência. Cansou. Num ato inoportuno retornou a sua cidade. Na volta à loja de cristais, o seu reflexo denunciou a outra que outrora tinha medo. Ao entardecer, aceitou o pedido de casamento do afilhado do dono da loja de cristais. No dia seguinte ao casamento, os cristais revelaram a volta da rata branca, mas já era tarde demais. Ela tinha se tornado adulta.

terça-feira, 12 de março de 2013

Arteira

Bancada americana para cozinha


Acredito que este mundo está tão repleto de objetos e consumismo.
Claro que a grana está curta, mas também é tão bom recriar. Ao pensar nisso, como eu precisava de uma bancada para a cozinha, aquela estilo americana, e com a ajuda de meu super namorido, criamos uma feita com as portas do guarda-roupa. Ficou show!!! Ainda estou montando a cozinha, como  o resto da casa e aos pouquinhos irei postar isso tudo aqui.